SEGUNDA-FEIRA, 14 DE SETEMBRO DE 2026 - Horário 18:42

Aos 21 anos, empresário cria rede de franquias de marketing e IA que atende outras redes de franquias
Modelo da GS Franchising entra pela franqueadora sem custo para ela, padroniza a geração de demanda e replica a operação para cada unidade da rede /


Guilherme Sperb de Souza, 21 anos, fundou uma rede de franquias cujo cliente é outra rede de franquias. A descrição soa circular na primeira leitura, e é justamente aí que está o desenho do negócio.

A GS Franchising atua em um ponto específico do setor: a geração de clientes para a unidade franqueada. Segundo o balanço da Associação Brasileira de Franchising (ABF) referente a 2025, o franchising brasileiro superou R$ 300 bilhões em faturamento, alta de 10,5% no ano, com 3.297 redes, mais de 200 mil unidades em operação e cerca de 1,8 milhão de empregos diretos. O mesmo levantamento mostra que as 50 maiores franquias representam 1,5% do total de redes, mas concentram 26% das operações — ou seja, a maior parte das redes brasileiras é de porte pequeno e médio e disputa consumidor sem estrutura própria de aquisição. "A franqueadora entrega marca, produto e processo. Depois disso, gerar cliente no bairro vira problema do franqueado, que é empresário e não gestor de mídia", diz Sperb.

Como o modelo funciona

A operação tem três camadas, e entender a ordem delas é o que desfaz a confusão. Na primeira está a franqueadora parceira: uma rede de franquias homologa a GS como fornecedora oficial de marketing e inteligência artificial para suas unidades, sem pagar nada por isso. Na segunda está o franqueado dessa rede: a unidade contrata a GS e paga pelo serviço de geração de demanda e pelas automações que rodam dentro da operação dela — é aqui que está a receita. Na terceira está o franqueado da GS: é quem conquista novas homologações e responde pelo relacionamento comercial, apresentando o modelo a franqueadoras, fechando contrato com os franqueados das marcas homologadas e acompanhando esses clientes ao longo do contrato. A execução dos serviços — campanhas, automações e rotinas de inteligência artificial — fica centralizada na estrutura da GS.

Essa divisão explica por que o franqueado não precisa dominar tráfego pago ou inteligência artificial: ele responde pela frente comercial, enquanto a entrega técnica roda de forma centralizada. A prospecção também acontece uma camada acima da unidade — cada homologação conquistada abre acesso a todos os franqueados daquela rede de uma vez, em vez de venda avulsa de porta em porta.

Hoje a GS é homologada por redes que somam mais de mil franqueados. Entre os clientes atendidos há unidades em três países — Brasil, Argentina e Paraguai —, todas pertencentes a redes brasileiras com operação fora do país.

Por que a rede aceita


O ponto que sustenta o modelo é a ausência de custo para a franqueadora. Ela não desembolsa para homologar a GS. O que ela ganha é padronização — em vez de cada franqueado contratar uma agência local diferente, com resultado e discurso diferentes, a rede passa a ter um único padrão de aquisição rodando em todas as praças, com métricas comparáveis entre unidades. "Nenhuma franqueadora quer vender fornecedor para o próprio franqueado. Ela quer que a unidade venda", afirma o fundador. "Quando não tem custo para a rede e resolve uma reclamação recorrente do franqueado, a conversa muda."

Padronizar e replicar com IA

A camada de tecnologia é o que permite escalar. Campanhas, páginas de captura, fluxos de atendimento automatizado e rotinas com inteligência artificial são construídos uma vez para a rede e replicados unidade por unidade, com ajuste de praça, verba e sazonalidade. O custo de criar a estratégia é diluído entre todas as unidades da mesma marca, o que viabiliza um preço que uma unidade isolada não conseguiria pagar por uma estrutura equivalente. De acordo com dados da GS Franchising, cerca de R$ 300 mil em verba publicitária gerenciada pela empresa estão associados a aproximadamente R$ 15 milhões em faturamento gerado para clientes atendidos. Em um projeto individual, ainda segundo a empresa, R$ 12 mil investidos em mídia resultaram em cerca de R$ 256 mil em vendas para a unidade.

Os números da franquia

A GS passou a franquear o próprio modelo em março de 2026. O investimento inicial é de R$ 25 mil. Segundo a franqueadora, uma unidade registra faturamento médio em torno de R$ 250 mil por ano, com lucratividade média de 45% e payback médio de seis meses.

O perfil buscado são empreendedores entre 20 e 27 anos que querem começar sem construir um negócio do zero. Segundo Sperb, o franqueado não precisa dominar tráfego pago ou inteligência artificial para entrar: a execução é padronizada pela franqueadora, e o treinamento acontece dentro da operação. "Empreender do zero é aprender produto, mercado, aquisição e processo ao mesmo tempo, pagando por cada erro", diz Sperb. "Aqui a pessoa entra em um modelo que já roda, com método definido e a execução garantida pela matriz. Abrir as redes continua sendo trabalho dele, mas ele não precisa inventar o negócio."

Os números de faturamento e lucratividade citados referem-se às unidades franqueadas. A operação matriz, com mais tempo de mercado, opera em patamar superior, segundo a empresa. Não há teto de faturamento definido em contrato — o resultado de cada unidade acompanha o número de redes e de franqueados que ela passa a atender. A empresa projeta ampliar o número de redes homologadas e aprofundar o uso de inteligência artificial na operação das unidades, com interesse declarado em expansão para outros países da América Latina.

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