QUINTA-FEIRA, 24 DE SETEMBRO DE 2026 - Horário 8:00

CONTEUDO DE MARCA - Valor - Flexibilidade pode aproximar seguro de vida da realidade financeira das famílias

Popular em outros países e em fase de regulamentação no Brasil, o seguro Universal Life pode ser ajustado ao longo da vida para proteger o planejamento doméstico




Breno Gomes, CEO da MetLife Brasil, aponta como principal desafio traduzir a sofisticação técnica em uma experiência simples de entender


O seguro de vida universal ainda depende de regulamentação e de outros requisitos para ser comercializado no Brasil. O novo produto deverá ser desenhado para proteger as pessoas e seu patrimônio com flexibilidade. O principal diferencial é o ajuste da cobertura do seguro ao longo do contrato, uma característica relevante, considerando que as trajetórias de renda, carreira e configurações familiares são cada vez menos lineares e as necessidades de proteção mudam ao longo da vida.
A modalidade divide o pagamento do seguro de vida em duas frentes. Uma parte protege o segurado de acordo com as coberturas contratadas, enquanto outra compõe uma reserva financeira que pode ser utilizada para cobrir parcelas em atraso ou atender a necessidades específicas. Além disso, ao longo dos anos, é possível ajustar os valores pagos e alterar as coberturas sem cancelar a proteção adquirida — flexibilidade que ainda não existe em outras soluções no país. Dessa forma, de acordo com a MetLife Brasil, que já disponibiliza o Universal Life em países como Estados Unidos, México e Chile, o produto oferece personalização e pode contribuir para o planejamento orçamentário e para a proteção das famílias no longo prazo, principalmente em períodos de maior pressão financeira. Para Breno Gomes, CEO da companhia, a possibilidade de acompanhar e ajustar a proteção conforme a vida financeira muda pode ajudar a aproximar o seguro da realidade de consumidores com maior oscilação de renda.
Os brasileiros são receptivos a essa alternativa, como aponta uma pesquisa realizada pela MetLife Brasil em parceria com o Instituto Ipsos este ano. O levantamento indica que 53% das pessoas contratariam um seguro de vida que permitisse realizar ajustes conforme os diferentes momentos, enquanto 47% valorizariam um produto que oferecesse a possibilidade de acumular uma reserva para imprevistos.
Nesse contexto, a MetLife Brasil aponta que o Universal Life pode contribuir para mudar a forma como os brasileiros se relacionam com o seguro de vida, passando a não apenas contratar, mas também administrar a proteção ao longo do tempo, revendo coberturas e valores de acordo com cada momento. Essa dinâmica também amplia o papel do distribuidor para um aconselhamento contínuo, com mais interação, preparo e transparência sobre a estrutura da proteção, seus custos e os riscos envolvidos. Ainda segundo a companhia, a experiência internacional também mostra que a complexidade técnica do produto não precisa se traduzir em uma jornada difícil para o cliente. Para Gomes, esse é um dos principais desafios para o desenvolvimento da categoria: traduzir a sofisticação técnica em uma experiência simples de entender, acompanhar e ajustar ao longo do tempo. Quanto mais clara for essa jornada, maior a capacidade de aproximar a proteção de diferentes perfis de consumidores.
Essa integração ao planejamento financeiro, entretanto, não altera a função essencial do seguro. “O seguro não substitui a reserva de emergência, os investimentos ou a previdência. Ele cumpre outra função: transfere riscos que muitas famílias não conseguiriam suportar sozinhas”, explica Gomes.
Na avaliação do CEO, disponibilizar o produto, por si só, não garante o desenvolvimento do mercado. “Uma coisa é viabilizar a chegada do Universal Life ao mercado brasileiro. Outra, mais desafiadora, é construir uma categoria sustentável e confiável no longo prazo. Isso exige segurança regulatória e tributária, além do compromisso de todo o setor com disciplina atuarial, transparência e responsabilidade comercial. As projeções apresentadas ao cliente precisam ser claras e responsáveis, porque expectativas que não se sustentam podem comprometer a confiança em toda a categoria”, afirma.
O executivo ressalta ainda que o Universal Life deve ser compreendido, antes de tudo, como uma solução de proteção, e não de rentabilidade. “Se o produto for apresentado a partir de expectativas de retorno financeiro, a proteção perderá relevância. Em um produto desenhado para acompanhar diferentes fases da vida, confiança não se constrói apenas no momento da contratação. Ela depende de clareza, acompanhamento e consistência ao longo de toda a relação com o cliente”, conclui.
O seguro não substitui a reserva de emergência, os investimentos ou a previdência. Ele cumpre outra função: transfere riscos que muitas famílias não conseguiriam suportar sozinhas
Demanda pela modalidade
O CEO relembra que o setor de seguros tem avançado continuamente no Brasil nos últimos anos, à medida que o brasileiro passou a perceber de forma mais concreta os riscos capazes de afetar sua renda e seus projetos. “A pandemia contribuiu para essa mudança, mas o movimento é mais amplo. Doenças graves, invalidez, afastamento do trabalho e instabilidade financeira passaram a fazer parte das discussões familiares”, diz ele.
Os dados da pesquisa realizada pela MetLife indicam que a demanda está ancorada principalmente na proteção: esse é o principal benefício esperado de um seguro de vida para 68% dos brasileiros, enquanto 57% mencionam a capacidade de lidar com imprevistos relacionados à saúde. Entre famílias com filhos, mais de 60% demonstram abertura para soluções que combinem proteção e formação de reserva para momentos como desemprego e nascimento de filhos, eventos que alteram significativamente a dinâmica financeira familiar.
Acesso à proteção
Além dos benefícios para os clientes, o Universal Life pode ampliar as possibilidades de proteção no mercado brasileiro, ao atender a necessidades de diferentes perfis sem substituir as soluções tradicionais. A experiência internacional da MetLife no México oferece uma referência desse potencial, embora o desenvolvimento da modalidade no Brasil dependa de sua adaptação ao contexto regulatório, tributário e financeiro local.
Atualmente, a modalidade representa aproximadamente 52% em prêmios e 71% no número de apólices vendidas de seguro de vida individual da MetLife no México e reúne mais de 1,7 milhão de clientes, com níveis de persistência próximos de 92% — e se consolidou como o principal motor de crescimento e inovação da operação, contribuindo também para ampliar o acesso ao seguro no país.
“O Vida Universal tende a ser relevante para pessoas que buscam proteção de longo prazo e precisam ajustar essa proteção conforme sua vida financeira evolui ou conforme imprevistos acontecem. Também pode ser adequado para quem deseja iniciar cedo uma estratégia de proteção ou preservar sua autonomia financeira no futuro”, informa Fernando Trujillo, vice-presidente sênior de estratégia de negócios, transformação e distribuição F2F na MetLife Brasil.
A experiência internacional é relevante não apenas pelos resultados alcançados, mas também por mostrar que clareza, adequação do produto, acompanhamento e capacidade de adaptação sustentam uma relação de longo prazo. Para Trujillo, entretanto, a adaptação ao mercado local é um fator-chave de sucesso. “No Brasil, pretendemos aplicar esses aprendizados internacionais para desenvolver uma jornada com proposta de valor simples e clara e contribuir para uma distribuição qualificada. Mas é crucial assegurar que a solução seja compatível com as necessidades e a realidade financeira dos brasileiros”, completa.
Dados apontam que os brasileiros se preocupam com a proteção para o futuro
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