VOLL lança plataforma que usa linguagem natural para automatizar tarefas, interpretar políticas e simular cenários financeiros
O resultado da novidade é o controle de custos sem perda de governança
A agência de viagens corporativas VOLL acaba de lançar uma nova plataforma baseada em inteligência artificial agêntica como resposta aos desafios que as empresas têm enfrentado na gestão de despesas. Além de pressões de custos e dificuldades de acompanhamento em tempo real das oscilações do mercado, muitas companhias ainda dependem de processos manuais em etapas como aprovação de viagens, verificação de regras e análise de reembolsos.
Essa realidade reforça a necessidade de controle orçamentário associado a ferramentas eficientes de previsão de gastos, especialmente na atual conjuntura de expansão do setor. Segundo estimativas da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp), o segmento movimentou mais de R$ 6 bilhões entre janeiro e maio deste ano, alta de quase 10% sobre o mesmo período de 2025.
A proposta da VOLL, então, busca ampliar a gestão financeira sem aumentar a carga operacional das equipes por meio de um sistema de inteligência artificial agêntica capaz de recomendar opções, interpretar políticas, além de realizar ações dentro de limites predefinidos pela companhia. A tecnologia é incorporada a uma operação já utilizada por empresas líderes em diferentes segmentos como bancário, serviço de entregas, moda e alimentício.
A nova arquitetura permite personalizar políticas de viagem a partir de um conjunto mais amplo de variáveis, superando as soluções tradicionais, em que as empresas tendem a limitar suas configurações aos parâmetros disponíveis. Além de regras relacionadas ao tipo de serviço contratado, é possível considerar fatores como cargo, duração do voo, horário, tipo de conexão e antecedência da compra. Com isso, uma mesma diretriz pode estabelecer condições diferentes de acordo com o contexto.
Nova plataforma da VOLL mostra o agente realizando automaticamente a reserva de hotel e carro, de acordo com a política da empresa, ao longo da jornada da viagem
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A flexibilidade também se estende ao processo de aprovação. Em vez de apenas indicar que uma solicitação está fora da política, o sistema pode explicar o motivo da exceção e fornecer ao responsável os elementos necessários para decidir. Partes diferentes de uma mesma viagem podem, desse modo, receber tratamentos distintos, evitando que todo o pedido precise ser aprovado de uma só vez e permitindo concentrar a análise no item que demanda atenção específica.
Luciano Brandão, CEO da VOLL, salienta que a aplicação da tecnologia, contudo, precisa estar associada a um impacto financeiro mensurável. “A tecnologia só faz sentido quando une a experiência do viajante, a redução de gastos e a busca por mais eficiência no orçamento de viagens”, afirma.
Quando a VOLL lançou o primeiro marketplace de agentes de inteligência artificial do setor no segundo semestre do ano passado, verificou-se, com base em indicadores internos, uma economia direta superior a R$ 3 milhões para corporações dos mais diferentes segmentos em apenas 3 meses. Com a nova plataforma, a tendência é ampliar o escopo de controle de custos.
Abre-se também a possibilidade de avaliar, por meio de linguagem natural, apenas perguntando à plataforma, o impacto financeiro de uma mudança nas regras de compra. O usuário pode, por exemplo, consultar quanto seria possível economizar caso a antecedência mínima para aquisição de uma passagem fosse alterada. “A análise utiliza os próprios dados da operação e pode permitir que decisões que antes dependiam de levantamentos adicionais sejam testadas de forma mais rápida”, explica Brandão.
Tela de aprovações da VOLL detalha o motivo de cada exceção à política e permite reprogramar a reserva sem sair da mesma tela
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Autonomia e distribuição de tarefas
Se por um lado, os agentes de IA podem assumir tarefas repetitivas de consulta, conferência e aplicação de políticas, por outro, seu grau de autonomia é configurado pela própria empresa, que determina quais decisões e ações devem ser executadas automaticamente e quais continuam dependendo da intervenção humana. Dessa forma, modifica-se a distribuição do trabalho, diminuindo a dependência de processos manuais ao mesmo tempo em que as áreas responsáveis mantêm o controle sobre os limites de atuação dos agentes.
O novo sistema, portanto, não elimina a responsabilidade das áreas de finanças, compras ou administração, mas reduz a quantidade de intervenção necessária para exercer esse monitoramento. Dados sobre gastos, ticket médio, comportamento de compra, fornecedores e cumprimento das políticas também podem ser consultados em linguagem natural, sem depender exclusivamente de relatórios previamente configurados.
O resultado é o controle de custos sem perda de governança. “O que se verifica é uma gestão que pode ficar menos voltada à conferência de informações e mais concentrada em análise, negociação e tomada de decisão", finaliza Luciano Brandão.